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Três filmes indicados ao Oscar 2021 para discutirmos acessibilidade

24/04/21 às 15h54

No próximo domingo (25), acontece a 93ª cerimônia de premiação do Oscar, que premia os melhores filmes lançados entre 1º de janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021 nos Estados Unidos. A cada ano, o Oscar vem buscando abranger votantes de diferentes cinemas, com diferentes idades, etnias e gêneros e este já é um ano histórico, com a indicação de seis atores negros nas categorias principais e duas diretoras na categoria de melhor direção. Em meio a uma aparente maior representatividade  entre indicados e votantes, um dos temas que entraram em evidência nessa edição foi o da acessibilidade, e nós destacamos três indicados que valem a pena ser conferidos, e que nos provocam importantes reflexões. 

 

O SOM DO SILÊNCIO (Sound of Metal)

Disponível no Amazon Prime Video

 

O mais famoso dentre os citados aqui, "O Som do Silêncio" somou seis indicações ao Oscar: melhor filme, ator, ator coadjuvante, roteiro original, som e edição. Dirigido pelo estreante Darius Marder e protagonizado por Riz Ahmed, o longa aborda a vida de Ruben, um baterista que vai perdendo a audição até ficar completamente surdo. É uma obra intimista, com um primoroso trabalho de direção que, alinhado à mixagem de som, gera no espectador todo o desconforto que o protagonista sente ao perder o sentido. A trama narra o doloroso processo de Ruben para se adaptar à nova condição.

 

Grande parte do elenco do longa é composta por atores surdos, assim como muitas pessoas envolvidas na produção têm alguma ligação com a comunidade surda. Riz Ahmed aprendeu língua de sinais para fazer o filme e só se comunicava assim no set de filmagem para entrar no personagem, e se tornou o primeiro muçulmano a ser indicado ao Oscar de melhor ator.

 

CRIP CAMP: REVOLUÇÃO PELA INCLUSÃO

Disponível na Netflix

 

Indicado ao Oscar de melhor documentário, essa obra nos apresenta um acampamento para pessoas com deficiência na década de 70. Uma verdadeira utopia, com esportes, música e diversas atividades para humanizar estas pessoas em uma época onde quase não se falava em acessibilidade. A partir daí, o documentário traz toda a luta por direitos pela inclusão dessas pessoas. "Crip Camp" é daquelas obras para aquecer o coração. 

 

As cenas do acampamento mostrando a liberdade que as pessoas com deficiência tinham, sem preconceitos, é quase como imaginar uma realidade paralela. A segunda metade, que aborda a dificuldade do Estado em aprovar leis que incluam as pessoas com deficiência na sociedade, mudam completamente o tom do filme, mas trazem justamente esse paralelo com a realidade. "Você pode aprovar uma lei, mas até você mudar as atitudes da sociedade, a lei pouco significará".

 

FEELING THROUGH

Disponível gratuitamente no YouTube (em inglês)

 

Indicado ao Oscar de melhor curta-metragem, esse filme de 18 minutos nos mostra um jovem que resolve ajudar um homem cego e surdo a pegar um ônibus.

 

Esse curta é uma aula sobre comunicação. A princípio, a gente se pergunta: como se comunicar com uma pessoa que é cega e surda? E aqui o jovem protagonista aprende junto com a gente esses mecanismos para estabelecer esse contato. É interessante também que esse é o primeiro papel realizado por um ator cego-surdo. Robert Tarango nasceu surdo e está perdendo a visão gradativamente. A produção também inclui profissionais com deficiência auditiva, trazendo a atriz surda Marlee Matlin, vencedora do Oscar, como produtora executiva.

 

 

A inclusão no cinema é essencial não só para fazer as pessoas exercitarem a empatia e pensarem na importância da acessibilidade, mas também para fazer quem tem algum tipo de deficiência se sentir representado, ainda mais quando a produção do filme também conta com essas pessoas. O cinema é ainda mais fantástico quando há pluralidade, e nesse vasto universo há espaço para todas essas histórias.

 

#PraTodosVerem:

Imagem com uma montagem dos três filmes citados. A primeira mostra os personagens de "Feeling Through" esperando o ônibus, a segunda mostra Ruben, de "O Som do Silêncio", tocando bateria, e a terceira mostra um rapaz em pé com um violão segurando a cadeira de rodas com um menino.

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