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Exposição virtual "Quantos nomes tem a Rainha do Mar?"
Por Luiz Alves
18/08/21 às 16h24

Dandaluna, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá... como diz a canção interpretada por Maria Bethânia. São muitos os nomes atribuídos a este Orixá que, em África, deriva de Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"). É o Orixá dos Egbá, uma nação ioruba, que em sua mitologia nasceu em terra firme, percorrendo uma jornada mítica, mas que em certo momento é ameaçada por um exército que a procurava. Ao quebrar uma garrafa que carregava para sua proteção, ver se formar um grande rio que a leva definitivamente para Òkun, o Oceano, lugar de residência de Olóòkum, seu pai.

 

Em África, ela é representada como a grande Mãe, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Na Umbanda, manifestação religiosa brasileira, plural e universalista, Iemanjá é a personificação do bem e da maternidade austera e protetora. Representada como uma mulher esbelta, com pele cor de alabastro, vestida numa longa túnica enfeitada com estrelas douradas e uma estrela do mar na cabeça sobre seus cabelos negros.

 

No Candomblé, segura um abano de metal branco e é saudada com Odò Ìyá. Segundo Pierre Verger, na Bahia há 7 Iemanjás. 

 

Pelo sincretismo religioso, tendo em vista que era proibido o culto destas divindades, geralmente é comemorado junto a Padroeira da cidade, e seus adeptos se dirigem ao mar para fazer oferendas. Vaidosa, gosta de perfumes, pente e flor.

 

Em Fortaleza, a tradição desta festa foi iniciada ainda em 1950, por Mãe Júlia Barbosa Condante, na Praia do Futuro, e vem, ao longo dos anos, ganhando adeptos de diferentes terreiros de Umbanda, Candomblé, além de outras práticas como Jurema e Catimbó. E, nos últimos anos, a festa vem sendo comemorada também na Praia de Iracema.

 

No ano de 2017, a Festa de Iemanjá tornou-se Patrimônio Imaterial da Cidade de Fortaleza e está em processo de aprovação o seu reconhecimento em todo o Estado do Ceará.

 

A exposição busca mostrar a importância desses festejos enquanto manifestação que resguarda as origens do nosso povo, tão diverso, tão rico e tão potente. Como uma forma de acabar com todo o preconceito criado de forma criminosa, como forma de inviabilizar a existência e manifestação cultural destes povos, trazidos para cá de forma tão desumana, e que hoje está presente na ancestralidade de todos nós, pois ainda que minimamente somos um pouco de cada cultura, um pouco de cada divindade, e cultuar nossos ancestrais é fortalecer nossos laços com o sagrado e, sobretudo, a compreensão de que somos seres humanos, o que se concretiza com a realização coletiva, resguardada em suas individualidades. As imagens foram realizadas no período de 2015 a 2019, nas festividades de Iemanjá, realizadas nos dias 14 e 15 de agosto desses anos. Que Iemanjá, nos proteja, nos guie e nos alimente. Odoyá!!!

Por Luiz Alves
 
 
 

 

Sobre o fotógrafo

Nascido em Tabuleiro do Norte, em 1979, Luiz Alves de Lima Júnior é formado no Curso Superior de Tecnologia em Recursos Hídricos / Irrigação no Centro de Ensino Tecnológico - Centec - de Limoeiro do Norte. Em 2008, veio morar em Fortaleza, onde fez Mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal do Ceará. Desde criança apaixonado por arte, nas suas múltiplas linguagens, encontrou na Fotografia a oportunidade de mudar de carreira, conciliando seu encanto pelo fazer artístico com melhores possibilidades de retorno financeiro.

Desde 2014, dedica-se exclusivamente à fotografia. Iniciou seus estudos na Escola Porto Iracema das Artes, braço de formação do Dragão do Mar, o que logo despertou seu interesse por eventos e manifestações culturais. Ao longo deste período, realizou inúmeras coberturas de festivais e espetáculos, como o Festival Manifesta, a Feira da Música, a Bienal Internacional de Dança do Ceará, o Festival de Teatro Infantil, a Maloca Dragão, a Mostra Petrúcio Maia, dentre outros. Desde 2015, atua como fotógrafo do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Desenvolve trabalhos autorais que buscam dar uma maior visibilidade às manifestações ancestrais como a dos povos Indígenas, maracatus, pescadores e povos de terreiros.

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