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Exposição virtual "Junina Luz do Mundo"
Por Luiz Alves
22/06/21 às 15h50

Junina Luz do Mundo

 

"Olha pro Céu meu Amor!...", o pedido feito na música do Rei Luiz Gonzaga faz muito sentido quando se analisa um pouco o período em que ocorrem as festas juninas. É no mês de junho que acontecem muitas coisas no céu. É o mês do solstício de verão, momento em que o sol atinge o auge e os dias ficam mais longos que as noites. Tradições antigas em regiões da Europa comemoravam esse momento com o ritual de Litha, para celebrar a força e a potência da natureza. Junho ainda recebe influência do signo de gêmeos, cujo regente é Mercúrio, o deus grego que cuida das comunicações; o Exú da mitologia africana e o São João Batista, aquele que foi anunciado pelo anjo Gabriel. Também é o período em que o hemisfério Sul recebe menos luz solar em relação ao hemisfério Norte. Junho, tem esse nome para homenagear a deusa Juno. Para nós, cearenses e nordestinos, é o momento de celebrar as colheitas, a fartura e festejar Santo Antônio, São Pedro e, claro, São João. É uma festa realmente divina e o céu está em festa! 

 

Costuma-se sempre questionar a tradição da festa, mas a festa junina no Brasil, que recebe influências de tantas culturas, vive em constante transformação, com o acréscimo de elementos ao longo dos anos e ganhando novas conformações, com as quadrilhas juninas, com o francês anarriê (en arrière - para trás) e alavantú (en avantu tout - para frente), o milho e a pamonha, dos indígenas; a chita, que veio da Índia e só depois passa a ser produzida no Brasil; os fogos, de origem chinesa; e as simpatias que são feitas neste período, de origem pagã; as bandeirinhas coloridas; as fogueiras, que originariamente representam a substituição do fogo, na ausência da luz, e a espiritualidade; a anunciação do nascimento de São João; e os balões que sobem aos céus, como querendo chegar lá. Mas tudo isso acontece por conta do Solstício de Verão. 

 

As festas juninas são uma celebração da luz do sol, que nos possibilita as colheitas e a celebração da vida. Assim, a exposição virtual "Junina luz do mundo" busca pensar os diferentes elementos dessa festa, a importância da relação do homem com a natureza, tão destruída, mas muito importante, as nossas conexões com o divino, nas suas diferentes manifestações, e, sobretudo, a importância da união dos povos de todos os credos e crenças.  Tempo de pensar nessa fogueira que aquece, na comunhão, na união de casais, no Dia dos Namorados, no metafísico do amor e da vida. Uma noite mágica, como na obra "Midsummer Night's Dream", de William Shakespeare. O mês junino e suas festividades são a vida em sua plenitude.

 

 

Luiz Alves

 

 

 

Sobre o fotógrafo

Nascido em Tabuleiro do Norte, em 1979, Luiz Alves de Lima Júnior é formado no Curso Superior de Tecnologia em Recursos Hídricos / Irrigação no Centro de Ensino Tecnológico - Centec - de Limoeiro do Norte. Em 2008, veio morar em Fortaleza, onde fez Mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal do Ceará.

 

Desde criança apaixonado por arte, nas suas múltiplas linguagens, encontrou na Fotografia a oportunidade de mudar de carreira, conciliando seu encanto pelo fazer artístico com melhores possibilidades de retorno financeiro. Desde 2014, dedica-se exclusivamente à fotografia. Iniciou seus estudos na Escola Porto Iracema das Artes, braço de formação do Dragão do Mar, o que logo despertou seu interesse por eventos e manifestações culturais.

 

Ao longo deste período, realizou inúmeras coberturas de festivahis e espetáculos, como o Festival Manifesta, a Feira da Música, a Bienal Internacional de Dança do Ceará, o Festival de Teatro Infantil, a Maloca Dragão, a Mostra Petrúcio Maia, dentre outros. Desde 2015, atua como fotógrafo do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Desenvolve trabalhos autorais que buscam dar uma maior visibilidade às manifestações ancestrais como a dos povos Indígenas, maracatus, pescadores e povos de terreiros.

 

 

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