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Exposição virtual 'Anacé - Memórias da retomada de São Sebastião'
por fotógrafo Iago Barreto, fotógrafa Rafaela Anacé e Cacique Climério Anacé
29/01/21 às 01h41

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

 

Anacé - Memórias da retomada de São Sebastião
 
Esses são registros de luta, uma construção diária. O povo Anacé da Aldeia Japuara, então comandado pelo Cacique Antônio Anacé, em 2018 retomou sua terra ao pé da Serra da Japuara, seu local ancestral. Com a intenção não só de moradia e segurança alimentar para seu povo, mas de fazer cumprir sua espiritualidade e seu direito à terra de seus ancestrais. As fotos acompanham a jornada desses últimos anos de luta na chamada Retomada de São Sebastião, com o encantamento do Cacique que agora descansa na terra, a ascensão de novos caciques e também momentos de festa, de cozinha, de descanso. Pois sobre a Japuara o sol nasce todo dia para a luta e construção diária de um mundo melhor.

 

 

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela AnacéFoto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

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Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

Foto Iago Barreto e Rafaela Anacé

O QUE É A RETOMADA DE SÃO SEBASTIÃO? ENCONTROS E ENCANTOS


A Retomada de São Sebastião foi realizada no ano de 2018 por uma necessidade de fortalecer as práticas agrícolas e a soberania alimentar do Povo Anacé, pois a área de agricultura de nosso povo estava reduzida a quase nada, por isso ela veio como estratégia de fortalecer nossa agricultura. Essa retomada foi liderada pelo então encarnado Cacique Antônio Ferreira e sob sua liderança continuamos caminhando rumo a essa conquista. Logo no primeiro mês, sofremos com a repressão policial, ameaças e conflitos; porém seguimos firmes na convicção de uma terra livre pra morar e produzir.

 

Esse processo foi ganhando mais características por conta de uma série de atividades, que foram desde aulas sobre direitos indígenas a visitas de arqueólogos ao território, constatando um patrimônio arqueológico na retomada, o que possibilitou que as autoridades e a sociedade civil olhassem para nosso território. A retomada foi ganhando mais significados no decorrer dos meses com os diversos rituais, desde o Toré até os terços. Passou a ser chamada de Retomada de São Sebastião durante um ritual, no qual, por uma mensagem dos encantados, foi dito que ali deveria ser fixada uma bandeira em homenagem ao santo e um terreiro de Toré para seu culto pois, historicamente, São Sebastião é cultuado e devotado por nosso povo há muitos anos em nosso território. Os Torés no terreiro de São Sebastião agem como um canal de fortalecimento a todos que ali estejam; fortalecendo, assim, o corpo e o espírito dos Anacé, reafirmando o compromisso com a luta pela terra.

 

Tal retomada foi ganhando mais significado, pois no ano de 2019 o então cacique Antônio Ferreira tombou por problemas de saúde, tendo sido plantado neste território de São Sebastião. A partir dali a retomada ganha outra característica, a de berço e de sagrado, pois naquele território nosso Cacique está plantado à terra e seus frutos se veem nitidamente. São homens e mulheres, crianças e velhos que trazem estampados em seus rostos a alegria de ter uma terra para produzir e nela um Cacique que agora, mesmo não estando mais em plano físico, continua protegendo o seu povo como pai, guerreiro e cacique. Mais do que nunca, está conosco como um encantado de nossa pedra branca.

 

É notória a encantaria que é cultuada de forma tão simples e revelada naturalmente aos que lá vão visitar. Tal lugar foi palco da festa de posse do cacicado e também das festas de São Sebastião. Sua magia não está apenas na história de luta, mas em sua vegetação e nos animais que ali habitam. O Cacique Antônio Ferreira deixou seu legado de luta nesta retomada e assim como ele podemos dizer que vários outros também, pois lá é terra sagrada pelos que vivem na encantaria e os que vivem no plano físico. Sua beleza está nos menores detalhes? nos encontros dentro da mata com nossos parentes, nossos encantados, com os pássaros e com toda sua vegetação.

 

Cacique Antônio Ferreira vive lá, guardando o povo, e como pai, dando sua bênção a todos.


Cacique Climério Anacé
12 de agosto de 2020.

 

Autoria e Autorias 

Com produção do coletivo Poty de comunicação, esse é um projeto coletivo idealizado por Iago Barreto (fotógrafo), junto com o Cacique Climério Anacé, liderança do povo. Juntam-se ao processo Emilly Guilherme (produtora cultural e curadora), Rafaela Anacé (fotógrafa), Cacique Roberto e Aurea Anacé (texto), além de todos que passaram pela Retomada de São Sebastião e que ainda moram lá.

 

Aurea Anacé

Cacique Roberto 

Iago Barreto


Arte-educador, artista, comunicador comunitário. Colaborador do Museu Indígena
Tremembé desde 2014. Professor na formação de cineastas indígenas junto aos povos Kanindé, Tapeba e Pitaguary; professor fixo na Escola de Cinema Indígena Jenipapo-Kanindé desde 2018, ano em que também inicia o processo de luta junto à retomada Anacé de São Sebastião.

Cacique Climério Anacé


Cacique Climério, filho do Cacique Antônio do povo Anacé da aldeia Japuara no município de Caucaia, onde lidera cerca de 1200 índios do seu povo. Trabalha com pinturas indígenas e artesanato, sendo professor voluntário de cultura nessa aldeia e em outras. Trabalha usando a palha da carnaúba como matriz para o artesanato. É puxador do ritual sagrado Toré e mestre espiritual do seu povo, além de raizeiro e escritor. 

Rafaela Anacé 


Rafa Anacé é da aldeia Japuara, filha do Cacique Antônio, liderança, pintora tradicional, co-realizadora no filme "As Mulheres São Como Rios". Atualmente focada na fotografia, com participação na exposição "A Cara Negra e Indígena no IFCE", - realizada pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do Instituto Federal do Ceará (IFCE) - e na exposição online do Centro Cultural Vale Maranhão. Também registra o cotidiano de sua aldeia e de sua luta.

 

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