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Exposição /Simultâneos/ no MAC-CE
A instalação 'Você gostaria de participar de uma experiência artística? Circulação & repouso', de Ricardo Basbaum é uma das mostras que compõem a exposição
07/03/18 às 15h26

Além de quatro mini-mostras abertas no dia 8 de março, a exposição /Simultâneos/ apresenta, a partir do dia 13, a instalação "Você gostaria de participar de uma experiência artística? Circulação & repouso", de Ricardo Basbaum, que convida o público à participação. O artista paulista propõe o envolvimento do outro como participante em um conjunto de protocolos indicativos dos efeitos, condições e possibilidades da arte contemporânea. O projeto se inicia com o oferecimento de um objeto de aço pintado (125 x 80 x 18 cm) para ser levado para casa pelo participante (indivíduo, grupo ou coletivo), que terá um certo período de tempo (em torno de um mês) para realizar com ele uma experiência artística. 

 

A exposição /Simultâneos/, bloco composto por quatro pequenas mostras traz trabalhos produzidos por mulheres ou que fazem referência a questões ligadas ao feminino. O maranhense Thiago Martins de Melo apresenta um conjunto poético que convida o público a discutir o colonialismo por meio da metanarrativa. Com o filme de animação "Barbara Balaclava" (2016), o artista apresenta a trajetória de uma mártir anônima, desde a desapropriação e massacre de sua aldeia e sua morte sob tortura policial, até sua experiência como "encantada", encontrando a si mesma em encarnação anterior e culminando em seu batismo no coração de Pindorama. Bárbara balaclava é uma narrativa anarco-xamanista de transcendência da luta anticolonialista.

 

/Simultâneos/ traz ainda "Montar uma Ruína", de Lis Paim. A artista visual baiana radicada em Fortaleza exibe, pela primeira vez, seu arquivo audiovisual constituído a partir da edificação em ruína do Alagoas Iate Clube - o Alagoinha, um antigo clube modernista localizado dentro do mar da orla de Ponta Verde, na cidade de Maceió (AL). Alvo de peculiares ocupações transitórias e de ameaças constantes de desaparecimento desde o momento da sua desapropriação e abandono pelos vários governos em Alagoas, a imagem do Alagoinha na paisagem urbana e? a de um ape?ndice; uma aresta consentida e mal aparada de Maceio?: um lugar de limbo.

 

Em outra sala, o MAC|CE apresenta "Telma Saraiva - Artífice da Imagem". A mostra aproxima dois pequenos núcleos de fotografias, um na dimensão do doméstico, que retrata a sua filha Edilma Saraiva em diferentes fases, e outro composto por um conjunto de fragmentos de álbuns de família da cidade de Várzea Alegre/CE, a partir de um conjunto de imagens produzidas pelo Foto Saraiva, pela artista Telma Saraiva, que evidencia a sofisticação de pensar, executar e reinventar a fotografia na metade do século passado, no Cariri cearense (Crato/CE), ao inovar, à época, com o uso da fotopintura, detalhamento de fotografias a partir de pintura com tintas, técnica que a projetou nacionalmente.

 

Na Sala Experimental, a curadora Carolina Vieira elege algumas obras do Acervo MAC e da Pinacoteca do Estado do Ceará e apresenta um recorte que tem a proposta de envolver principalmente mulheres, mas não necessariamente falar do feminino. Há trabalhos que apresentam, de alguma maneira, a energia feminina ao exibir imagens que remetem às noções de trama, memória, conexão e rede de apoio. O trabalho manual aparece em obras que envolvem tapeçaria, desenhos, instalação e pinturas. A sala apresenta duas obras bastante significativas: uma imagem de Nossa Senhora com seu manto coberto de carrapichos, do artista Euzébio Zloccowick, e uma gravura de Nossa Senhora dos Escribas, de Francisco de Almeida. Elas são o ponto de partida para pensar a organização das demais obras. De um lado, uma parede com obras totalmente brancas, com molduras brancas, montadas num fundo branco, e, do lado oposto, uma parede tomada por uma tapeçaria caoticamente colorida. Essas duas paredes são compostas por trabalhos de três artistas mulheres - Heloísa Juaçaba, Guiomar Marinho e Laura Vinci -, quase como uma intenção de criar um campo de força, com linhas invisíveis, que atravessam toda a sala. Confira algumas obras que estarão expostas:

 

Telma Saraiva

Antonio Bandeira

 Maira Ortins

 

Serviço

/ Simultâneos /

Onde: Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE)

Visitação: até 29 de abril de 2018, de terça a sexta-feira, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com acesso até as 20h30).

Gratuito

 

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